Os 5 Biomarcadores que os Teus Exames Têm — e o Teu Médico Não Interpretou

"Os seus exames estão normais."

É uma das frases mais ouvidas em consulta. E também uma das mais frustrantes porque a mulher que está sentada do outro lado sabe que algo não está bem. Sente no corpo todos os dias.

O problema raramente é que os exames estão errados. O problema é o que se considera "normal".

Os intervalos de referência laboratoriais são construídos com base em amostras populacionais incluindo pessoas que já têm défices subclínicos, inflamação de baixo grau, ou função da tiroide comprometida. "Normal" significa que estás dentro do intervalo de 95% da população. Não que o teu corpo esteja a funcionar de forma óptima.

Há cinco biomarcadores que aparecem em quase todas as análises de rotina — e que são sistematicamente subinterpretados em mulheres.

1. Ferritina

A ferritina é a proteína que armazena ferro no organismo. É um dos marcadores mais importantes para perceber fadiga, queda de cabelo, dificuldade de concentração e intolerância ao exercício em mulheres.

O intervalo laboratorial convencional começa frequentemente em 10-15 ng/mL. Em medicina funcional, o intervalo óptimo para uma mulher sintomática está entre 70 e 100 ng/mL.

Uma mulher com ferritina de 18 ng/mL vai receber um resultado "normal". E vai continuar a perder cabelo, a sentir-se exausta, a não conseguir recuperar depois de fazer exercício sem perceber porquê.

A hemoglobina pode estar perfeita. Não há anemia. Mas as reservas de ferro são insuficientes para o corpo funcionar bem.

2. TSH — Hormona Estimulante da Tiróide

O TSH é o marcador de referência para avaliar a função tiroideia. O intervalo convencional vai até 4.5 ou mesmo 5.0 mIU/L em muitos laboratórios.

Em medicina funcional e em guidelines mais recentes de endocrinologia, um TSH acima de 2.5 com sintomas — fadiga, sensação de frio, cabelo frágil, obstipação, ganho de peso sem causa aparente — já justifica investigação mais aprofundada.

Uma mulher com TSH de 3.8 vai receber um resultado "normal". A tiróide está a trabalhar com esforço para manter os níveis de hormona tiroideia, o que é um sinal de disfunção subclínica, não de função óptima.

O TSH isolado também não chega. T3 livre, T4 livre e anticorpos antitiroideus são fundamentais para perceber o quadro completo e raramente são pedidos em análises de rotina.

3. Vitamina D

A vitamina D não é apenas uma vitamina: é uma hormona com receptores em quase todos os tecidos do corpo. Afecta a função imunitária, o humor, o sono, o metabolismo ósseo e a regulação inflamatória.

O intervalo convencional considera "suficiente" qualquer valor acima de 20 ng/mL. Em medicina funcional, o intervalo óptimo está entre acima de 70 ng/mL.

Portugal tem sol — mas a maioria das mulheres que analiso tem valores entre 18 e 30 ng/mL. Suficiente para não ter raquitismo. Insuficiente para o sistema imunitário funcionar bem, para o humor ser estável, para o sono ser reparador.

4. Insulina em Jejum

A glicemia em jejum é pedida rotineiramente. A insulina em jejum quase nunca é.

É uma omissão importante — porque a insulina sobe muito antes da glicemia. Uma mulher pode ter glicemia normal e insulina cronicamente elevada há anos, num estado de resistência à insulina que ainda não se manifestou nos valores de açúcar no sangue.

A resistência à insulina está associada a fadiga, dificuldade em perder peso, acne, síndrome dos ovários poliquísticos, inflamação crónica e risco cardiovascular aumentado. Em medicina funcional, uma insulina em jejum acima de 8-10 mIU/L com sintomas justifica investigação — independentemente da glicemia estar normal.

5. PCR-hs — Proteína C Reactiva de Alta Sensibilidade

A PCR convencional detecta inflamação aguda — infecções, lesões, processos activos. A PCR de alta sensibilidade (PCR-hs) detecta inflamação crónica de baixo grau — o tipo silencioso que não dá sintomas específicos mas que está por baixo de fadiga persistente, dores difusas, névoa mental e risco cardiovascular elevado.

Um valor de PCR-hs abaixo de 1.0 mg/L é considerado baixo risco. Entre 1.0 e 3.0 é risco intermédio. Acima de 3.0 é risco elevado.

Muitas mulheres com fadiga crónica, dores articulares e sintomas digestivos têm PCR-hs entre 2.0 e 4.0 — dentro do "normal" convencional, mas com inflamação sistémica activa que explica muito do que sentem.

O que fazer com esta informação

Se tens análises recentes, verifica estes cinco valores. Não apenas se estão "dentro do intervalo" — mas onde estão dentro do intervalo, e se há sintomas que possam estar relacionados.

A interpretação funcional não substitui a avaliação clínica. Mas pode ser o ponto de partida para perceber o que está a ser ignorado.

Se quiseres perceber o que os teus biomarcadores estão a dizer, começa pela avaliação funcional gratuita.

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Catarina Veiga é especialista em Medicina Funcional Integrativa com mais de 20 anos de experiência clínica. Trabalha com mulheres que têm sintomas persistentes e análises "normais".

catarinaveiga.com